domingo, 16 de maio de 2010

26.3- Richard Wagner 4


Salzburg

Óperas abordadas nesta postagem:
7-Tristão e Isolda
8-Die Meistersinger von Nürnberg- Os Mestres Cantores de Nuremberg

                   
7-Tristão e Isolda
7ª ópera (52 anos)
Libreto:
Richard Wagner
Estreia:
(Munique) Teatro Real, 10 de junho de 1865

Tristan und Isolde (Tristão e Isolda) é uma ópera em três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner, baseada na lenda medieval contada por Gottfried von Strassburg. Foi composta entre 1857 e 1859 e estreada em Munique em 10 de junho de 1865, no Teatro da Baviera, sob regência do maestro Hans von Bülow.



Sua composição foi inspirada em Mathilde Wesendonck e Arthur Schopenhauer. Reconhecida internacionalmente como o ápice do repertório operístico de Richard Wagner, Tristan und Isolde destaca-se pelo uso de cromatismo, tonalidade, cor orquestral e suspensão harmônica. Sua partitura é um marco importante da música erudita moderna por apontar para a dissolução da tonalidade, cuja consequência é o atonalismo do século XX.

Wagner partindo da versão que no século XII que Gottfried von Strassburg deu à lenda céltica, abreviou o tempo de ação, eliminou os personagens secundários e simplificou o enredo. Entretanto, inseriu à lenda elementos provenientes de outras fontes, que as assimilou de forma extremamente pessoal.

Os três temas fundamentais da ópera, a descoberta do amor; a ideia da noite como refúgio e negação das atribulações do dia; e a  morte como libertação, dominam cada um dos três atos. O centro focal da ópera é a cena de amor dominante em toda a ópera, mas principalmente no 2º ato. Tristão e Isolda mergulhados no êxtase do amor apaixonado acreditam que a morte é a salvação do amor eterno.




Tristão e Isolda é uma história lendária sobre o trágico amor entre o cavaleiro Tristão, originário da Cornualha, e a princesa irlandesa Isolda. De origem medieval, a lenda foi contada e recontada em muitas diferentes versões ao longo dos séculos.

O mito de Tristão e Isolda tem provável origem em lendas que circulavam entre os povos celtas do noroeste Europeu, ganhando uma forma mais ou menos definitiva a partir de obras literárias escritas por autores normandos no século XII.


                      

No século seguinte a história foi incorporada ao Ciclo Arturiano, com Tristão transformando-se em um cavaleiro da távola redonda da corte do Rei Artur. A história de Tristão e Isolda provavelmente influenciou outra grande história de amor trágico medieval, que envolve Lancelote e a Rainha Genebra.

 A partir do século XIX até os dias de hoje o mito voltou a ganhar importância na arte ocidental, influenciando desde a literatura até a ópera, o teatro e o cinema.



Personagens
Tristão
Isolda
Brangânia, Aia de Isolda
Kurvenal, Escudeiro de Tristão
Um Jovem Marinheiro
Melot
Mark, Rei da Cornualha



Wagner escreveu o primeiro esboço do ciclo do "Anel" em 1848. Entre essa data e a data da estreia em Bayreuth iriam passar 28 anos. Durante esse período de tempo, os trabalhos no ciclo do "Anel" foram frequentemente interrompidos e três novas óperas foram levadas à cena: "Lohengrin", "Tristão e Isolda" e "Os Mestres Cantores de Nuremberg".

Em 1849, um ano depois desse primeiro esboço do "Anel", Wagner vê-se perseguido por motivos da sua atividade política, e é obrigado a refugiar-se, primeiro em Weimar, em casa de Liszt, mais tarde em Zurique, numa casa cedida por Otto Wesendock. É aí que nasce um romance que irá estar na origem duma nova ópera, ou seja, a ligação de Wagner com Matilde Wesendock, mulher de Otto Wesendock.




Com o eclodir do escândalo dessa ligação, desencadeado pela intempestiva Minna, mulher de Wagner, o compositor vê-se obrigado a deixar Zurique. Seguem-se estadias em Veneza e Lucerna. É nessas três cidades - Zurique, Veneza e Lucerna - que Wagner escreveu essa nova ópera, "Tristão e Isolda".



Numa carta a Liszt, Wagner diz ter escolhido o tema dessa velho romance medieval como forma de sublimação do seu próprio destino amoroso que, segundo ele, teria sido sempre sombrio. Os primeiros esboços de "Tristão" datam de 1857. A sua primeira apresentação pública teve lugar no Teatro de Ópera da Corte de Munique passados 8 anos e isso graças à intervenção de Luis II da Baviera, que, um ano antes, oferecera a Wagner a sua proteção permitindo-lhe o regresso à Alemanha.

“Porque eu nunca experimentei a verdadeira felicidade no amor, quero levantar um monumento ao mais belo de todos os sonhos, no qual, do começo ao fim, esse amor possa, por um só momento, ser o suficiente para satisfazer os amantes”. Wagner






SINOPSE:
1.ºAto
O 1º ato passa-se no navio do cavaleiro Tristão que transporta para a Cornualha Isolda, uma princesa irlandesa que vai casar com o velho rei Mark, tio de Tristão. Ao compreender o fascínio que sentem um pelo outro, a princesa pede à sua aia Brangânia que prepare uma taça com veneno para dar ao cavaleiro.

Tristão bebe e Isolda partilha com ele a bebida. Só que Brangânia enganara-se e, em vez de veneno, pusera na taça um filtro de amor preparado pela mãe da princesa, transformando-se, a atracção nascente entre os dois jovens, numa paixão mágica, irresistível. O êxtase dos dois é interrompido pelos gritos da tripulação que anunciam a proximidade da costa da Cornualha.




2.ºAto
A ação do 2º ato passa-se nos jardins do castelo do Rei da Cornualha onde Tristão e Isolda se entregam à sua paixão quando são interrompidos pelo escudeiro Kurvenal que vem avisar ao cavaleiro que Melot, um cortesão, havia descoberto o secreto amor dos dois e se dispõe a denunciá-los ao Rei.

Mas esse aviso chega demasiado tarde: o Rei já sabe de tudo e acusa Tristão de traição. O cavaleiro admite o crime de que é acusado e dispõe-se a tomar o caminho do exílio. É então que Melot desembainha a espada e o fere gravemente.





3.ºAto
A ação do último ato passa-se no castelo de Tristão na Bretanha.

Gravemente ferido pelo golpe desferido por Melot, o cavaleiro entrega-se a uma tristeza profunda provocada pela separação da sua amada. Isolda chega. Vem tentar salvar Tristão através de certos poderes mágicos que possui. Ao vê-la, o cavaleiro arranca, delirante, as ligaduras que protegem a ferida, e cai morto nos seus braços.

O Rei da Cornualha fora, entretanto, informado por Brangânia daquilo que acontecera no navio com a troca involuntária das bebidas, e compreende que a paixão dos dois jovens se deve ao poder mágico duma poção, tomada, inadvertidamente, por ambos. Foi assim que se dispôs a perdoar-lhes partindo ao seu encontro.

Só que Kurvenal, o escudeiro de Tristão, ao ver aproximar-se do castelo o Rei com os seus homens, julga que vêm tomá-lo de assalto, e faz-lhes frente, matando Melot com um golpe fatal. Indiferente às palavras do Rei e de Brangânia, Isolda contempla, em êxtase, o cadáver de Tristão, até que, sucumbindo à dor, cai morta sobre ele.




Os vídeos:















Essa ópera, criação da maturidade do compositor, é uma das mais altas simbolizações do amor que a história da arte encerra. Nela, é como se a dor amorosa encontrasse na música o seu lenitivo.





8-Die Meistersinger von Nürnberg- Os Mestres Cantores de Nuremberg

8ª ópera (54 anos)
Libreto:
Richard Wagner baseado em diversas fontes
Estreia:
(Munique) Teatro Real, 21 de Junho de 1868


Die Meistersinger von Nürnberg (Os Mestres Cantores de Nuremberg) é uma ópera em três atos, escrita e composta pelo compositor alemão Richard Wagner. Essa é uma das óperas mais populares de seu repertório e uma das mais interpretadas atualmente, usualmente durando quatro horas e meia. A ópera foi apresentada pela primeira vez no Teatro Nacional (Königliches Hof- und National-Theater) dia 21 de junho de 1868. O maestro da première foi Hans von Bülow.



Personagens
O Cavaleiro Walter von Staling
Eva, Filha do Ourives
Madalena, Aia de Eva
David, Aprendiz de Sapateiro
Veit Pogner, o Ourives
Sixtus Beckmesser
Fritz Kothner
Kunz Vogelgesang
Hermann Ortel
Baltasar Zorn
Konrad Nachtigall
Augustin Moser
Hans Schwarz
Hans Foltz
Ulrich Eisslinger
Hans Sachs, o Sapateiro
Guarda-Noturno
Os outros Mestres Cantores



A história acontece em Nuremberg durante a metade do século XVI. Nessa época, Nuremberg era uma Cidade Imperial Livre, e um dos centros da Renascença no norte europeu. A história gira em torno da vida real dos Mestres Cantores, uma associação de poetas e músicos amadores, a maioria de classe média e freqüentemente artesãos em suas profissões principais. Um dos personagens principais é Hans Sachs, baseado na figura história de Hans Sachs (1494-1576), um dos mestres cantores mais famosos da história.




Foi por volta de 1845 que Richard Wagner pensou em escrever uma ópera cômica que fosse uma espécie de resposta a "Tanhäuser". Mas esse seu projeto só iria tomar forma passados mais de 20 anos, sendo apresentado pela primeira vez em público em Munique no dia 21 de junho de 1868, que foi a ópera "Os Mestres Cantores de Nuremberg".

Foram diversos os textos em que Wagner se baseou para escrever esta sua obra, entre eles a "História da Literatura Alemã" de Georg Gottfried Gervinius, um capítulo duma crônica nuremberguiana onde se fala da "arte mui graciosa dos Mestres Cantores", um poema de Goethe "sobre a missão poética de Hans Sachs", uma comédia de Deinhardstein e um conto de Hoffmann intitulado "Mestre Martin, o Latoeiro, e os seus Companheiros".




Wagner terminou o texto de "Os Mestres Cantores" em janeiro de 1862. Em março iniciou a escrita da música, que terminou em outubro. A ideia inicial duma réplica cômica a "Tanhäuser" acabou por esbater-se com o passar dos anos, encontrando alguma semelhança como o cantor de confrontado com tradições, a jovem dada como prêmio no concurso de canto, a figura paternal dum mecenas, ou ainda o velho artista amado e venerado, simbolizado, nos "Mestres Cantores", por Hans Sachs.

A ópera Die Meistersinger, de Wagner está baseada em fatos históricos. A figura dos Mestres cantores remonta seu patrimônio estilístico ao Minnesinger alemão. Equivalente ao trovador ou menestrel, os Minnesinger percorriam a Alemanha dos séculos XII, XIII e XIV, compondo canções e poemas em louvor ao amor galante. A partir dessas criações foram estabelecidos conjuntos de regras que deveriam ser rigorosamente obedecidos na composição musical.





Aqueles que estabeleceram esse estilo de composição musical eram chamados Meistersinger e estiveram em voga do século XIV até o século XVI. Em geral, os Meintersinger eram artesões de classe media que se organizavam e sociedades ou Singschulen (“escolas de canto”) para poetas e músicos. Dentro das sociedades eram observados diferentes níveis hierárquicos: os que se encontravam no primeiro nível eram os Schüler e os Schulfreunde (aprendizes), seguidos pelos Sänger (cantores), Dichter (“poetas”) e no topo, o cobiçado título de Meister (aqueles dotados de talento para produzir novas melodias).

 As sociedades de Meistersinger freqüentemente promoviam concursos com regras estritas, semelhante ao apresentado na ópera de Wagner. As regras ou Tablatur, determinavam a melodia, a métrica, o esquema de rimas e até o tema. Uma vez que essas competições eram realizadas nas igrejas, somente assuntos religiosos eram permitidos (no mínimo até o século XV), após a Reforma os temas eram originados quase que exclusivamente da Bíblia de Lutero. O apego a linguagem utilizada por Lutero é também um exemplo de como os Meistersinger estavam comprometidos com o emprego de uma linguagem pura.




Para suas canções eles preferiam o padrão do hochdeutsch (alemão superior) utilizado nas classes sociais mais altas, no governo e na Bíblia de Lutero. Um dialeto regional poderia ser usado mas moderadamente, palavras coloquiais não poderiam ser empregadas para rimar com palavras do alemão superior. Outras regras estabeleciam que o significado da poesia deveria ser claro e que a claridade e a gramática não poderiam comprometer a rima ou o número de sílabas.

As Singschulen (escolas de canto) se encontravam em todas as cidades ao sul da Alemanha mas foi Nüremberg que se destacou como centro principal. Nüremberg foi a cidade natal de Hans Sachs, também ficou conhecida pelos esforços de um Hans Folz, que tentou persuadir sua sociedade a atenuar as restrições musicais. Apesar dos esforços inovadores de Hans Folz e de outros, as várias Singschulen foram paulatinamente eliminadas pela rigidez e complexidade de seus Tablatur (conjuntos de regras). Gradualmente as sociedades se dissolveram e apenas um grupo sobreviveu até 1875 em Memmingen.




A finalidade da organização era estimular o amor à música, enobrecendo os espíritos e enaltecendo o povo através da arte sublime de Euterpe. Com o decorrer do tempo, a corporação, usando de pedantismo, criou regras no ‘Tabular” que rejeitavam tudo o que era moderno ou de novas intenções estéticas. Na história inserida na ópera, Wagner conservou os principais dados históricos. O libreto não explora o tema de um mito ou de uma lenda, mas evoca a vida de uma cidade alemã, na metade do século XVI, e a ação se cristaliza em torno dos Mestres Cantores, guardiães da tradição poética, a mais estrita e rígida.




SINOPSE:

1.ºAto
A ação do 1º ato passa-se no interior da igreja de Santa Catarina em Nuremberg, onde Eva, filha do ourives Veit Pogner, repara num cavaleiro que a olha fixamente. Esse cavaleiro é Walter von Staling que se aproxima dela e lhe pergunta se já tem noivo, ao que a aia da jovem, Madalena, responde dizendo "que Eva irá casar com o vencedor do Concurso de Canto do dia de São João", acrescentando "que isso fora uma decisão do seu pai, o ourives Veit Pogner".




Evidentemente interessado, Walter diz, no entanto, ignorar as regras do concurso. Madalena convence David, um aprendiz, discípulo de Hans Sachs, a ensinar-lhe, o que o jovem faz de forma bastante confusa. Veit Pogner, o ourives, chega passados alguns instantes, e Walter manifesta-lhe o seu interesse em entrar para a Corporação dos Mestres Cantores, o que parece agradar ao ourives, já que se dispõe, ele próprio, a apresentar a sua candidatura.

Mas essa pretensão do cavaleiro é muito mal recebida, sobretudo por Sixtus Beckmesser, um pretendente de Eva que vê em Walter um rival perigoso no futuro Concurso de Canto. No entanto, a candidatura acaba por ser aceita, mas a atuação do cavaleiro desafia as regras estabelecidas, e Walter não é admitido. Em favor da sua arte manifestam-se Veit Pogner, o ourives, e Hans Sachs, o sapateiro.





2.ºAto
A ação do 2º ato passa-se na rua onde ficam as casas do ourives Veit Pogner e do sapateiro Hans Sachs.

O aprendiz de Hans Sachs está fechando a loja quando chega a aia de Eva, Madalena, que lhe pergunta qual foi o resultado da prova prestada por Walter, e fica furiosa ao saber que ele não foi admitido na Corporação dos Mestres Cantores. Hans Sachs senta-se à porta da loja disposto a trabalhar, recordando o canto do cavaleiro que o impressionou precisamente por ser diferente.




Eva vem conversar com ele acerca do Concurso de Canto que irá realizar-se no dia seguinte, e Hans Sachs, compreendendo o que se passa, decide proteger os dois apaixonados. É que Walter e Eva, temendo o resultado do concurso, decidiram fugir, ao que o sapateiro se opõe. Entretanto chega Sixtus Beckmesser que vem fazer uma serenata à filha do ourives, e Hans Sachs decide contrariá-lo começando também a cantar enquanto bate a sola.

Depois os dois homens acabam por estabelecer um acordo: Beckmesser fará a sua serenata e Hans Sachs irá limitar-se a marcar as falhas do seu canto com as pancadas do martelo. Só que o barulho é tal que os vizinhos aparecem para ver o que se passa, e David, o jovem aprendiz de sapateiro, namorado de Madalena, julgando que Beckmesser dedica a serenata à sua amada, ataca-o furioso. Aproveitando a confusão, Hans Sachs esconde Walter em sua casa no momento em que o ourives aparece e leva a filha consigo.




3.ºAto
A ação do 3º ato inicia-se no interior da loja do sapateiro.

Hans Sachs conversa com Walter que lhe diz ter tido um sonho maravilhoso. O sapateiro desafia-o a contar esse sonho num poema, e, enquanto Walter canta, Hans Sachs vai o aconselhando a adaptar o seu estilo às regras da Corporação.

Depois de Walter sair, chega Sixtus Beckmesser que, ao ver o manuscrito, pergunta a Hans Sachs se pretende entrar no concurso. O sapateiro responde que não, de maneira nenhuma, e Beckmesser parte decidido a utilizar aquela canção, que julga ter decorado.




O Concurso de Canto inicia-se com grandes festejos. Sixtus Beckmesser apresenta a canção roubada, adaptando as palavras à sua própria música. O resultado é desastroso, e Beckmesser, furioso, diz que foi vítima do sapateiro, e que aquela canção é obra dele.

Então Hans Sachs revela o verdadeiro autor da obra, e entrega o manuscrito aos Mestres Cantores, que ficam maravilhados. Walter ganha o concurso... e a mão de Eva. A ópera termina com Eva colocando a coroa de flores, destinada ao vencedor, na cabeça de Hans Sachs.













Levic

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